A reconquista definitiva de Coimbra em 1064, trouxe como consequência um intenso povoamento das zonas ao seu redor, pelo que nas margens deste rio, de Coimbra até à foz, se foram multiplicando os povoados, até pela segurança que lhes era dada pelos castelos de Coimbra e Montemor-o-Velho. Entre esses povoados não é de excluir esta nossa aldeia. Remontam, contudo, apenas ao século XIII os primeiros documentos oficiais que conhecemos, que se referem a Santo Varão.
O inventário da Biblioteca e Bens de D. Francisco de Lemos e da Mitra de Coimbra faz referência a uma certidão de doação de Santo Varão, feita por D. Sancho, o príncipe D. Afonso e a rainha D. Urraca, a Egídio, filho de D. Julião, chanceler do rei, em 1255, nos seguintes termos: “traslado de huma sertidão da doação de Sam Verão feita por ElRey Dom Affonço e a Rainha Dona Urraca a Egidio, filho de Dom Julião Canselario de ElRey em mil duzentos sincoenta e sinco“. Conclui-se, pois, que foi esta personagem o primeiro donatário de Santo Varão.
Este D. Ju1ião a que alude o documento seria possivelmente Julião Pais, falecido em 1215, o qual deve ter nascido e residido boa parte do tempo na cidade ou termo de Coimbra, porque ali tinha muitos bens. Seu filho Egídio, deteve o título de Mestre, foi tesoureiro da Sé, tendo exercido uma extraordinária influência na cúria régia, durante mais de trinta anos. Foi o primeiro cardeal português. (Baptista, 2012)