Poema de abertura do Festival de Folclore 2013

Passou quase um mês sobre um festival onde as gentes de Santo Varão, com o coração despedaçado e a alma escurecida, deram tudo por tudo para ser um êxito. E foi!!!
Mais uma vez, penso que todos vestiram honrosamente a “camisola” de santovaronenes e ORGULHOSAMENTE tornaram um sonho realidade. Um sonho que alguém nos deixou e ao qual, penso eu, todos soubemos corresponder.
Deixo aqui o poema escrito pela Lena Maia que serviu de abertura ao Festival de Folclore de Santo Varão, edição de 2013.
Este poema, já o usei para oferecer um bocadinho da nossa aldeia ao Rancho Açoriano que nos visitou. Obrigado prima, por me teres autorizado. Penso que é meu dever partilhar esta obra com todos os que gostam de Santo Varão.
Está na hora de começar a preparar o próximo festival. Boa Sorte!
(H. Marques) 

POEMA

Povo que lavas no rio,
E ao rio vais buscar o pão.
Lavadeiras do Mondego,
Esfrega, cora e lava,
Os bragais dos senhores,
Das casas ricas de Santo Varão.

Mulheres da minha terra,
Ainda lhes sei o nome;
Palmira, Guilhermina, Alzira, Conceição.
Pés na água, olhos no chão.
Discutiam e ralhavam,
Por um pedaço de areia,
Um raio de sol, O calor do Verão.
Lavam as mágoas no rio,
A alma, o coração.

Lança a rede pescador.
Que os filhos pedem pão.
A mulher há-de ir apregoar:
Pé descalço, amor no coração.
Cambos de ruivacos, Carpas e tainhas.
Pelas ruas e ruelas de Santo Varão.

Rio das águas claras,
Que mansamente corre p’ró mar.
De frondosos salgueirais
Sombras frescas, Fontes cristalinas.
Bandos de cegonhas e pardais.
Perfume de madressilva no ar
Roupa branca a corar nos areais

Quebrando a quietude do lugar.
Há hora da cesta,
Uma manada de toiros,
Entra no areal para beber e repousar.
Arreda, arreda que aí vem toooooiros.
Grita o mulherio,
Há uma inquietude no ar.

Ó rio qu’é da tua água?
Qu’é do nosso pão?
Povo que lavaste no rio!
Gente sem nome,
Luís Fé, ti Zé Pescante,
Gente da minha terra.
Histórias de Santo Varão.

Helena Maia, 6 de Julho de 2013

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