O Centro Beira Mondego de 1925 a 1950 – Parte II

cbm-Acrilico sobre tela“Uma visão dos primórdios do Centro Beira Mondego – Sociedade de Instrução e Recreio, Santo Varão – no seu primeiro quarto de século (1925-1950)” – Parte II
Por: Manuel CARVALHO-VARELA

Gravura: Acrílico sobre tela da autoria de Hermínio Markes, representativa da primitiva sede do CBM.

10. Da sua relevante actividade teatral e musical até 1950, não destacaremos, deliberadamente, as pessoas mais dedicadas ou que mais se distinguiram, como ensaiadores, encenadores, pontos, contra-regras, caracterizadores, personagens, coros de camponeses e camponesas das peças teatrais, bem como ensaiadores, regentes e músicos da tuna (os cartazes/programas falam por si).
Além de tal ser quase impossível e bastante fastidioso, poderia omitir alguns e, todos os que partiram e os poucos que nos restam, merecem o nosso carinho, com admiração e respeito, pela sua devoção e entusiasmo dedicados ao CBM; Deus lhes pague e os proteja no Céu e na Terra.

11. Consultados os cartazes/programas colocados à nossa disposição (alguns sem possibilidade de concretização dos meses e anos das récitas enunciadas) realçaremos somente as célebres operetas: “Os Amores de Mariana” (5 de Junho de 1932 e 9 de Maio de 1937) e “Corações Que Cantam” (9 e 10 de Abril de 1944) na sede, em Santo Varão e, posteriormente, em mais 17 récitas em Alfarelos, Carapinheira, Condeixa, Montemor-o-Velho, Verride, etc), sem menosprezo por todas as outras peças teatrais, e foram muitas;

12. A sua tabulação dá-nos uma pequena imagem do grande trabalho e do imenso prazer dos nossos antepassados:

pecas teatrais

Eis, Prezados Consócios, o que nos propusemos trazer até vós, embora com muito pouco tempo disponível para uma mais ampla pesquisa, pelo que rogo se dignem apresentar sugestões ou eliminar falhas e lacunas (…).

Felizmente que, no segundo e terceiro quarto do século XX, surgiram também homens bons e dinâmicos em Santo Varão, embora se verifique uma quebra acentuada pelo interesse teatral e musical nos últimos tempos, que devemos lamentar.

Uma “terra sem tradição cultural” – embora se admita uma evolução positiva e não negativa – é uma “terra sem verdadeiro paradigma da sua personalidade”. Se a perder totalmente, tornar-se-á, cada vez mais, num dormitório incaracterístico da cidade mais próxima (Coimbra).

Esperemos que não, a bem do futuro radioso de Santo Varão e do seu povo, que afortunadamente aqui nasceu e continuará a nascer.

Bem Hajam!
Santo Varão, 2 de Janeiro de 2000

Parte I do artigo.

 

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