Passeando pela História de Santo Varão XVI

Capela de N. Sra. do Amparo

Capela de N. Sra. do Amparo

Não foi contudo pacífica a condição de padroado da capela de N. Senhora do Amparo a que alude a escritura de fábrica com hipoteca de 28/06/1754.
Em 1778, teve início um litígio entre o referido desembargador Manuel Ferreira de Oliveira e o vigário de Santo Varão, padre Manuel Ferreira do Espírito Santo, litígio este revelador de pouco amistosas relações que se estabeleceram entre ambos.
O vigário acusa o desembargador de mandar celebrar missas cantadas, pregar sermões e receber ” as ofertas e oblações q. os fieis offerecem a mesma Senhora, e p.ª este fim conserva hum livro em q. escreve, ou as pessoas q.as prometem p.ªdestas as cobrar…”, quando fora estabelecido pelo provisor ser o pároco o administrador da capela. Vai mesmo mais longe ao apelar ao Bispo para o excomungar. Por sua vez, o desembargador tece acusações não menos graves ao vigário, de quem diz ter esquecido as obrigações de bom pároco. O processo que se seguiu acabou por ser arquivado e a administração da capela continuaria nas mãos do desembargador, passando por sua morte aos seus sucessores, até à sua anexação aos bens da Igreja Matriz, por doação daqueles. Atualmente, mantem -se a mesma estrutura de pequenas dimensões, que não ultrapassam os 50m2. A fachada principal comporta uma porta central, ladeada por duas janelas gradeadas e encimada, à esquerda, por um pequeno campanário a que já falta o sino.
A capela-mor, separada do restante corpo, por um arco cruzeiro, apresenta um altar, com uma banqueta de madeira e pedra de ara e uma estrutura retabular barroca, de madeira, já muito descaraterizada e já não em perfeito estado de conservação. O nicho central abrigava até há poucos anos a imagem de Nossa Senhora do Amparo (que substitui a primitiva, de pedra e de pequenas dimensões, porém muito mais valiosa, hoje nas mãos de algum antiquário ou colecionador), de pouco valor artístico, enquanto nos laterais se podiam ver as imagens de Santo António e S. João Baptista, estas sim antigas, pois já no século XVIII, pelo menos esta última era venerada na referida capela. Na parede lateral, à direita encontra-se um púlpito em madeira, com base em pedra e a que foi retirada a escada de acesso. Uma pequena sacristia serve de apoio aos ofícios religiosos. O teto apresenta-se forrado em madeira, de caixotões simples. Atualmente, as festividades em honra de Nossa Senhora do Amparo continuam a realizar-se tradicionalmente no domingo, 2ª e 3ª feira de Páscoa, sendo apenas nestes dias que aí se desenrolam as cerimónias religiosas.
A origem destas festividades perde-se no tempo. Se são ou não contemporâneas da edificação da capela não se pode apurar. Já aparecem contudo publicitadas em 1870, num periódico regional, onde se diz haver, 2ª feira de manhã, “ missa cantada e sermão; e de tarde procissão com a imagem da Senhora, dirigindo-se a ermida, a pouca distancia do povo”. É este ritual que ainda hoje se mantem, o qual com toda a certeza já seria muito anterior ao citado ano, conforme se pode confirmar pelo litígio acima descrito entre o desembargador e o pároco da altura.

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