Dia do Sócio

Decorreu, ontem, na Mata da Tapada, o almoço/convívio da Liga de Amigos de Santo Varão, com o S. Pedro a ajudar, uma vez que a brisa que se fazia sentir, proporcionou  uma temperatura amena.

Uma rica e variada ementa, a que não faltaram, para além do estipulado, umas espetaculares pataniscas, uma excelente salada russa acompanhada de uns saborosos pastéis de bacalhau, um apetitoso pão recheado, bola de carne, pizza e muito mais iguarias, prenderam os convivas em são convívio que se prolongou pela tarde adentro. E tudo graças à generosidade dos participantes que fizeram questão de “requintar” o repasto.

A Mata, com os seus seculares plátanos, é um sítio fantástico para estas atividades, pena é que as entidades competentes se demitam de salvaguardar a limpeza da vala, espelho de água atrativo para quem aí quisesse usufruir das suas múltiplas funcionalidades.

Aqui deixamos um alerta nomeadamente `à APA ou a quem possa e deva estabelecer o contacto com este organismo.

A todos os amigos que se dispuseram a  aderir ao nosso convite, um muito obrigada.

Para o ano haverá mais, certamente!

 

Dia do Sócio

No próximo dia 10 de Julho, a Liga de Amigos de Santo Varão irá celebrar o Dia do Sócio, com um almoço partilhado e aberto a toda a comunidade e amigos, na Mata da Tapada

É uma maneira encontrada de reunir toda a comunidade e, como tal, aproveitar o convívio para trocar impressões sobre alguns aspectos de interesse para a aldeia.

Apareçam

Rota das capelas – Santo Varão

 

   

3. Capela de Nossa Senhora da Tocha

 

Situada no meio da povoação, a data da sua fundação pode ser localizada com toda a certeza. Trata-se de uma pequena capela, mandada erigir no ano de 1661 por um particular, junto ao seu solar. Deste acontecimento nos dá conta uma inscrição gravada entre as volutas adossadas no frontão da porta principal, assim como uma inscrição no seu interior.
Nela se pode ler: «Esta Santa Capela de N. S. da Tocha mandou fazer Fº Jorge Floreado e sua mulher Brites Aires toda à sua custa…»
De pequenas dimensões, nela se encontra um altar com uma mesa em madeira e um retábulo construído em pedra de Ançã, da Renascença tardia, provavelmente da escola de João de Ruão.
O nicho principal, que alberga a imagem da Senhora da Tocha, de dimensões apreciáveis e ao estilo maneirista, é ladeado por duas colunas caneladas com capitéis coríntios. A ornamentação deste retábulo é composta por frontões triangulares e baixos-relevos com motivos geométricos vegetalistas e figurativos.

Por sua vez os nichos laterais, de dimensões mais reduzidas, albergavam pequenas imagens de pedra, de S. Francisco e S. Lourenço.

Do lado esquerdo do altar-mor uma porta dá acesso ao antigo solar, já inexistente.
Esta família dos Floreados aparece ligada por laços de casamento e possivelmente familiares à dos Saros, uma vez que uma filha de Manuel Gonçalves Floreado, Maria de Aguiar, casa em 1621, com Cristóvão Fernandes Saro.

 

A Assembleia da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, em reunião efetuada a 27 de Abril de 1990, aprovou por unanimidade a sua classificação como imóvel de interesse concelhio. Atualmente foi adquirida, conjuntamente com o solar dos Rangéis, dos meados do século XVIII, por particulares que procederam a obras de restauro.

Tal como as anteriores, constata-se ter servido de panteão familiar. Dos vários descendentes do casal de fundadores, quase todos ingressados na carreira religiosa, o registo de óbito de 1717, de uma das filhas, Teresa Pimentel, dá-a como sepultada na capela, o mesmo acontecendo com uma sobrinha desta, Luísa Pimentel, herdeira da capela por morte de sua tia, sem descendência, cuja certidão de óbito data de 1761.

Será um filho desta herdeira, Suplício José Pimentel, que herdará esta capela, onde casará com Mariana Josefa da Silva e Sequeira, de Ansião, em 1756. Morre prematuramente, deixando apenas um filho, residente em Ansião, o qual certamente se terá desfeito, não só da capela, como do solar, pois nos inícios do século XIX já ela aparece na posse dos Rangéis.

 

 

 

Igreja Matriz

 

Por mero acaso, veio-nos parar à mão este documento, relativo à Igreja Matriz de Santo Varão, o qual não deixa de ser curioso, atendendo ao estado de degradação do exterior da mesma.

Portaria n.º 1500, autorizando a Confraria do Santíssimo da freguesia de Santo Varão, concelho de Montemor-o-Velho, a vender duas inscrições e aplicar o respectivo produto nas obras de reparação de que carece a igreja matriz da referida freguesia

                  publicação: Diário do Govêrno n.º 195/1918, Série I de 1918-09-09

 

Talvez que, tal como os nossos antepassados fizeram, fosse tempo de toda a comunidade unir esforços para “lavar a cara” à nossa Igreja Matriz que bem necessitada está…

Rota das Capelas – Santo Varão

Rota das Capelas

2 – Capela dos Saros / Rangéis

 

 

Esta capela, de feição marcadamente renascentista, apresenta um retábulo, em pedra trabalhada, encimado por uma singela decoração com volutas, ladeadas por cabeças de anjos. composto por três nichos rematados por arcos de volta perfeita onde se encontram as imagens de Nossa Senhora com o Menino e de Santa Luzia, também elas renascentistas. O altar de madeira encontra-se relativamente bem conservado.  Nele teria tido lugar de destaque a imagem de S. Cristóvão, a quem foi dedicada esta capela, mas da qual se perdeu o rasto.

No arco de entrada está inscrita a data de 1667, data da sua possível reconstrução, visto que esta deverá ter sido mandada construir provavelmente ainda em finais do século XVI. A alusão à sua construção por Cristóvão Saro e sua mulher Maria de Aguiar não estará correcta, por quanto à data do enlace matrimonial destes, em 1621, já aquela existia.

É precisamente de 13/07/1618, o registo de óbito de Felipa Mateus, irmã de Cristóvão Fernandes, possivelmente o fundador da mesma, a qual aí foi sepultada. O mesmo aconteceu com Cristóvão Fernandes Saro, filho daquele, cujo registo de óbito de 27/11/1643 refere ter sido sepultado “na sua capella de Sam Cristovam que tem nesta igreja”, bem como sua filha, Maria de Aguiar, cujo registo de óbito data de 16/01/1666.
Conhecida por capela de S.Cristóvão, dos Saros ou dos Rangéis, terá possivelmente sido construída para servir de panteão familiar.

Já no séc. XVIII foi seu administrador Calisto Rangel Pereira de Sá, fidalgo da Casa de Sua Magestade Fidelissima “, com foro de fidalgo cavaleiro da Ordem de Cristo, em alvará de 7/8/1707. Trata-se de uma administração hereditária na medida em que este é neto de Margarida de Aguiar, descendente dos Saros e casada com Braz Rangel. Faleceu em 1763, encontrando-se sepultado na referida capela, assim como sua mulher, falecida em 1797. O mesmo veio a suceder a seus filhos, Bernardo Rangel Pereira de Sá, fidalgo Cavaleiro, falecido em 1826, Caetana Rangel Pereira de Sá, casada com Luís Vaz da Cunha, da Casa de Maiorca, falecida em 1823, e Leonor, falecida em 1836.

VI Festival Gastronómico do Baixo Mondego

Após uma interrupção motivada pela situação pandémica que atravessámos, voltou à freguesia de Santo Varão mais um certame gastronómico, inserido na Feira da freguesia.
Vão marcar presença as várias associações locais onde os visitantes podem encontrar produtos locais/regionais, sendo que  o ponto alto será a gastronomia local, com variadíssimas iguarias, onde se destaca o já célebre arroz de cabidela e o conhecido arroz doce local. Para os apreciadores de enguia é só fazer marcação…
Apareçam e não se vão arrepender!

 

Festas em honra da Senhora do Amparo

Reatando uma tradição secular, interrompida pela onda pandémica, durante dois anos, tiveram lugar as festividades em honra de Nossa senhora do Amparo, as quais terminaram ontem, dia 19 de Abril.

Desta vez a cargo de uma comissão, constituída por um grupo de gente jovem, o que é de aplaudir, numa época em que os jovens (salvo raras excepções) se desligam destes eventos de cariz mais religioso.

O ponto alto desta festa foi atingido com a procissão das velas, que conduziu a imagem de Nossa senhora da sua capelinha até à igreja Matriz, no decurso da qual foi lançado um aparatoso fogo de artifício.

Os festejos terminaram com a habitual missa campal, à qual se seguiram as não menos tradicionais merendas no pinhal e uma descontraída garraiada.

Aos jovens festeiros os nossos parabéns e à comissão para 2023 votos de muito sucesso.

Que a tradição se mantenha e com ela a identidade de todos os santovaronenses residentes ou ausentes.

A Liga de Amigos de Santo Varão

 

Rota das Capelas de Santo Varão

Rota das Capelas de Santo Varão

 

  1. Capela de N. Sra. do Amparo

 

Documentos coevos assinalam ser a capela de Nossa Senhora do Amparo, situada no então Casal das Machadas, desta freguesia, de época bastante recuada. A data da sua construção não é precisa, mas com toda a certeza é anterior a 1619. Nesse mesmo ano foi sepultadaMaria, filha de António Fernandes dentro da hermida de N.S.ª do Amparo, junto com sua may “, o que leva a corroborar essa mesma afirmação. O registo de óbito do citado António Fernandes, de 26/09/1623, di-Io morador no Casal da Machada e sepultadodentro da hermida de Nossa Sª do mesmo cazal que elle mandou fazer“, pelo que não restam dúvidas ter sido ele o seu fundador.

.A única coisa de que se tem a certeza é estarmos, uma vez mais, perante um panteão familiar, já que toda a família aí foi sepultada e apenas a família.

Mais tarde, a necessitar já de reparações, serão os herdeiros deste que a isso são obrigados visto “q. herão senhores das d.propriedades” onde aquela fora construída.

Desta ermida somente se volta a ter notícias em 1730, através de um requerimento feito ao bispo por Manoel Luís da Costa e outros moradores no dito casal, a fim de que fosse concedida licença para aí se dizer missa. Se continuava a ser pertença ou não dos sucessores de António Femandes, ignora-se.

Anos mais tarde, face ao estado de ruína em que se encontrava, seria Francisco Coelho da Cunha, residente na quinta do Matoutinho, a mandá-la reformar de ” ornamentos e altar por estar vertendo agoa e cheia de raizes q. se achavão desfazendo… ”.À época, certamente seria este o seu proprietário, ainda que não se conheçam as circunstâncias em que tal aconteceu. Conforme se pode ler no termo da visita feita à capela pelo vigário Tomás Nunes Ferreira, não só o altar teria sido reconstruído, como também teria sido aumentada a área, tanto no comprimento como na largura e dotada de mais alguns ornamentos. O aumento da área, sem dúvida, tem justificação no facto de estar já ao serviço dos moradores do referido casal e como refere o vigário citado “rezultaria grande prejuizo pella distansia em que estão” se os moradores aí não pudessem assistir à missa.

Assim remodelada, viria uma vez mais a entrar em ruína passados alguns anos.
Em 8 de Junho de 1754 dá entrada no Cartório da Câmara Eclesiástica uma nova petição, apresentada pelo Desembargador Manuel Ferreira de Oliveira, provedor da Camara de Leyria com casa e fazendas no couto de S. Verão“, para mandar fazê-la ” a fundamentis” pelo ” risco que lhe parecer mais decente. ”
A razão invocada é, não só a grande devoção que tinha à dita Senhora, como também o facto de ela estar situada em duas propriedades e olivais que lhe pertenciam à data e que estavam obrigados aos reparos daquela.
No seguimento deste pedido é redigida uma escritura onde consta a doação à capela e hipoteca de uma propriedade de terra lavrada, ficando com o direito de padroado para ele e seus sucessores.
Reconstruída ou construída de novo, feita a vistoria, é, de novo, concedida licença para aí se dizer missa. E, tal como no passado, passou a servir esta ermida de panteão familiar, tal como se pode comprovar pelo jazigo em campa rasa, onde se pode ler o seguinte epitáfio aqui jazem o Dezembargador Manoel Ferreira d’Oliveira, instituidor d’esta Capella. Falleceo em 1784. E seu neto o Desembargador Faustino Ferreira de Noronha Oliveira e Saro, nasceu em 1778 e falleceo aos 4 de Setembro de 1843. Mandou fazer esta lapide sua esposa Emilia Candida Alves Ribeirode Noronha em testemunho da sua constante saudade.

Ainda que na referida lápide constem apenas estes dois nomes, o que é certo é que os registos de óbito dão conta de aí também ter sido sepultada em 1833  Francisca de Noronha, filha do referido desembargador,

Aí também se celebrou o matrimónio de uma filha desta, Maria Benedita Noronha, em 1810.

Atualmente é pertença da Igreja Matriz por doação de Rosalina de Noronha, membro da família destes últimos proprietários.

Com uma área que ronda os 12 metros quadrados, apresenta uma fachada principal voltada a poente, com uma porta central e duas janelas laterais, bem como uma torre sineira. A anteceder a entrada encontra-se um adro, rodeado de muros, certamente o antigo “rossio” referido no registo de óbitos, que serviu de cemitério por ocasião de uma epidemia verificada em 1833. A capela mor é precedida de arco cruzeiro em aduelas de cantaria, formando um arco pleno. O teto de arestas é forrado a madeira, com caixotões sem decoração. O altar mor é composto de uma banqueta de madeira. Já o retábulo, bastante descaraterizado na atualidade, apresenta uma estrutura em talha do barroco nacional, com colunas coríntias, e em cujo nicho central se encontrava até há relativamente pouco tempo a imagem de Nossa Senhora do Amparo, de valor muito inferior à original, que era em pedra e de dimensões mais reduzidas.

Tal com antigamente a devoção a esta Senhora continua nos nossos dias e em moldes que não diferem muito das suas raízes. .A origem destas festividades perde-se no tempo. Se são ou não contemporâneas da edificação da capela não se pode apurar. Já aparecem contudo publicitadas em 1870, num periódico regional, onde se diz haver, 2ª feira de manhã, “ missa cantada e sermão; e de tarde procissão com a imagem da Senhora, dirigindo-se a ermida, a pouca distancia do povo”.

Altar morNossa Senhora do Amparo

O ” Rossio” que serviu de cemitério

CBM – II Festival Gastronómico

Decorreu no passado fim de semana o II Festival Gastronómico do CBM, em Santo Varão.

Com a fama que tem vindo a granjear, o resultado deste evento não podia deixar de ser senão mais um êxito. A adesão foi grande, não só sob a forma presencial como também de takeaway, tendo acorrido apreciadores de várias partes do concelho e da região. Com uma ementa variada, que ia desde o arroz de lampreia, de cabidela, de feijão, até às apreciadas enguias, não esquecendo o já famoso arroz doce, tudo serviu para atrair convivas que, certamente não deram por mal empregue a deslocação até esta quase centenária colectividade.
A todos o CBM agradece, fazendo votos para que para o ano o III festival volte a ter sucesso e a atrair cada vez mais gente.
Santo Varão é uma aldeia hospitaleira que sabe receber bem quem nos visita. Apareçam.

Romaria à Senhora do Amparo

Perde-se no tempo a festividade em honra da Senhora do Amparo que, não sendo a padroeira da freguesia, é tida como tal. A época escolhida foi desde sempre a quadra pascal, duranta a qual em tempos idos se realizavam romarias que, partindo da povoação, se dirigiam ao Casal das Machadas, onde se situava e se situa a sua capelinha, erigida em finais de quinhentos ou inícios de seiscentos, como se pode constatar nos registos paroquiais. Reza a lenda que teria sido erigida em cumprimento de uma promessa feita em alto mar.
Foi, pois, no intuito de preservar esta tradição, enquanto memória colectiva do seu povo, que a Liga de Amigos de Santo Varão recriou há alguns anos uma dessas romarias com a participação do Rancho Folclórico do CBM: