Em defesa do património

Se a pandemia que vivemos tem paralisado um grande número de colectividades, com destaque especial para as de cariz cultural, o mesmo não acontece com o Rancho Folclórico de Centro Beira Mondego que tem vindo a realizar um trabalho valioso em termos de preservação dos usos, costumes e tradições, os quais se têm vindo a perder ao longo dos anos.
Destaca-se, desta vez, a recriação da Romaria à Senhora da Saúde, da autoria do coordenador do rancho, Pedro Santos.


“Senhora da Saúde – Belide”, 5 de Agosto de 1908

A Encarnação e a Conceição irmãs, ambas ergueram-se cedo, mais cedo que o habitual. Hoje não foram ganhar o dia fora mas também não fizeram folguedo.
O pai, pequeno lavrador, disse-lhes no domingo último:
– Pois ó cachopas quarta-feira é a Sra das Neves, que vocês deste tempo prantaram o nome de Sra da Saúde. Se vocês que são as mais velhas quiserem ir eu não vos retiro. Mas também não vou com vocês. Mas não vão logo de manhã, vão só depois pra tarde.
– Pois sim Sr meu pai! Vamos pois e temos cautela. Ajuntamo-nos às outras que lá andam e vimos todas juntas.
– Pois! Mas também não é pra virem a altas horas da noute. Vocês tenham respeito.
– Sim senhora! A gente porta-se bem, com as primeiras a tornar a gente vem também.
Pois hoje, já ataram, carregaram e botaram na choupana no sarrado uma carrada de ponta de milho da terra dos serrados loureiros e á tapada foram buscar dois valentes feixes de erva p’rás vacas terem pasto. Encheram as pias com água fresca acartada da fonte do povo de mergulho.
Já bem trabalhadas, fizeram os cerca de oito quilómetros pelo calor com as chinelas na mão para as pouparem. Calhou bem, que assim os touros estavam à sesta no Rio Mondego e assim o monte está livre. E mais á vontade foram.
Chegaram era hora da sesta e o povo começava a juntar-se para assistir aos ofícios da Festa e ao Sermão, a igreja é pequena e elas já estavam com ela fisgada.
Com uns Reis que levavam, foram ver dos melões. “Ora vir à Sra da Saúde e não comer um melão. Assim será! Miséria a nossa…”
O povo estava calmo, pouco pó na rua, o calor era tanto, nem uma brisa, só algum alarido das mães com os anjinhos, seus filhos prometidos de anjos na procissão da Senhora. Birras e cansaço das crianças….. Compraram o melão e voltaram para trás ali perto do Pinheiro Manso, antes das Palmeiras do lagar.
Longe da confusão do Povo e das moscas dos gado. Os gandarezes trouxeram as éguas enfeitadas, as carroças dos burros, mulas e vacas engalanadas com colchas de seda.
Assim retiradas comeram o melão na sombra da oliveira ainda fizeram uma sesta e foram assistir à procissão desejosas que o toque se junte após a recolha da procissão e haja uma pandega, um baile… Que elas não vão voltar logo com os primeiros.
Trabalho há todos os dias, agora Sra da Saúde é uma vez no ano. Este ano foi assim, para o ano não sabem se podem tornar.”
Este ano, 2020 nada pode haver e a tradição já não é igual, os hábitos são outros.
Mas assim como a Conceição e a Encarnação foram muitas e muitos noutros tempos. No tempo em que o mundo girava ao jeito do Calendário Agrícola e do Calendário Litúrgico.
Fica desta forma a nossa lembrança a este dia.”

Evocação

No recolhimento do nosso lar e em espírito, celebremos a festa da Senhora do Amparo, recordando a origem deste culto mariano.

Documentos coevos assinalam ser a capela de Nossa Senhora do Amparo, situada no então Casal das Machadas, desta freguesia, de época bastante recuada. A data da sua construção não é precisa, mas com toda a certeza é anterior a 1619. Nesse mesmo ano foi sepultada “Maria, filha de António Fernandes dentro da hermida de N.S.ª do Amparo, junto com sua may “, o que nos leva a corroborar essa mesma afirmação. O registo de óbito do citado António Fernandes, de 26/09/1623, di-Io morador no Casal da Machada e sepultado “dentro da hermida de Nossa Sª do mesmo cazal que elle mandou fazer“, pelo que não restam dúvidas ter sido ele o seu fundador. A tradição oral vai mais longe ao associá-la ao cumprimento de uma promessa de alguém que, em pleno oceano, confrontado com o perigo de um naufrágio, ter prometido erigir uma capelinha, sob a invocação de N. S. do Amparo, caso se salvasse de semelhante tormenta.  A âncora, que a Virgem ostenta numa mão que significado terá? Terá alguma relação com esta “lenda”?
Mais tarde, a necessitar já de reparações, serão os herdeiros deste que a isso são obrigados visto “q. herão senhores das d.propriedades” onde aquela fora construída.
Posteriormente, face ao estado de ruína em que se encontrava, Francisco Coelho da Cunha, residente na quinta do matoutinho e possivelmente na pertença já desta área, manda-a reformar de ” ornamentos e altar por estar vertendo agoa e cheia de raizes q. se achavão desfazendo… ”
Assim remodelada, viria uma vez mais a entrar em ruína passados alguns anos.
Em 8 de Junho de 1754 dá entrada no Cartório da Câmara Eclesiástica uma nova petição, apresentada pelo Desembargador Manuel Ferreira de Oliveira, “provedor da Camara de Leyria com casa e fazendas no couto de S. Verão“, para mandar fazê-la ” a fundamentis” pelo ” risco que lhe parecer mais decente. ”
A razão invocada é, não só a grande devoção que tinha à dita Senhora, como também o facto de ela estar situada em duas propriedades e olivais que lhe pertenciam à data e que estavam obrigados aos reparos daquela.

E assim permaneceria na posse dos seus herdeiros que, já no século passado, a doariam à Igreja Matriz. De referir que a actual imagem veio substituir a primitiva, de pequenas dimensões, ainda que muito mais valiosa, por decisão da então proprietária.

Concerto de Natal

Com a aproximação da quadra natalícia, assiste-se, quase em todas as localidades, a programações diversas, mas sempre ligadas ao acontecimento incontornável, no mundo cristão,que é o nascimento de Jesus.

Também na nossa aldeia, Santo Varão, à semelhança dos demais anos, irá ter lugar um Concerto de Natal, no dia 22 de Dezembro, a cargo da Filarmónica 15 de Agosto Alfarelense, na Igreja Matriz.

Aproveitando a quadra, a anteceder o referido concerto, terá lugar uma pequena cerimónia de apresentação do restauro da talha dourada da Igreja Matriz e que contará com a atuação do Coro Litúrgico da Imaculada Conceição de Tentúgal.

Contamos com a vossa presença!

Feira S. Martinho, mais um sucesso

 

A imagem pode conter: fruta e comidaApesar do S. Pedro não ter ajudado à festa, foi num ambiente acolhedor e familiar que decorreu a tradicional feira de S. Martinho. À semelhança dos anos anteriores, apenas com a mudança de cenário, os santovaronenses e amigos honraram-nos com a sua presença, assim como uma representação da Junta de Freguesia e Câmara Municipal de Montemor-o-Velho.

Agradecemos o apoio do associativismo local e em particular o nosso reconhecimento ao Centro Beira Mondego pela prontidão com que respondeu ao nosso apelo para a cedência das suas instalações.
À população e amigos que nos apoiaram com os seus donativos e compras, o nosso agradecimento.

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Feira de S. Martinho 2019

Mês de Novembro, castanhas, vinho e S. Martinho!

É neste cenário que irá decorrer a tradicional feira de S. Martinho, nos dias 9 e 10 de Novembro próximo, em Santo Varão, organizada pela Liga de Amigos de Santo Varão.
Nela poderão os visitantes encontrar todo o género de artigos locais e regionais, incluindo os doces tradicionais, castanhas, nozes, jeropiga caseira e licores.
Os stands, a cargo das associações locais, também merecerão uma visita.
Também a Comissão da Festa de N. S. Amparo marcará presença com a tradicional tasquinha de comes e bebes, com uma ementa vasta, diversificada e apelativa.
O almoço/convívio de domingo, dia 10, contará com a presença dos santovaronenses e amigos que habitualmente nos visitam e que certamente não ficarão dececionados com o repasto a cargo dos já conhecidos e meritórios cozinheiros locais.
E, se mais razões não houvesse, certamente que estas não deixam de ser apelativas.
Assim o S. Martinho se entenda com o S. Pedro….

O Mérito a quem o merece…

A Liga de Amigos de Santo Varão congratula-se pela atribuição da Medalha de Mérito Cultural, pela Câmara Municipal de Montemor-o- Velho, sob proposta da Junta de Freguesia de Santo Varão, ao santovaronense Laurentino Oliveira.

Homem ligado ao associativismo desde a sua juventude, tem vindo a desenvolver um valioso trabalho, ao longo de toda a sua vida, com entusiasmo, dedicação e muito sacrifício, em todas as associações locais. Sempre pronto a colaborar, não sabe dizer Não!

É, pois, de inteira justiça, este galardão que, em boa hora, a Câmara Municipal lhe atribuiu, dia 8 de Setembro, dia do Município, em sessão solene.

Ao Presidente da Assembleia Geral da Liga de Amigos de Santo Varão, o nosso abraço! Parabéns.

Santo Varão/Rescaldo do almoço solidário

No passado dia 27 de Janeiro, fez-se história na paróquia de Santo Varão.

O almoço solidário, amplamente divulgado, com o objetivo de angariar fundos para restauro da talha dourada do altar-mor da Igreja Matriz de Santo Varão, excedeu toda e qualquer expectativa. Foi num salão completamente lotado com 200 comensais que responderam ao apelo lançado pelo Conselho Económico da Igreja em colaboração com a Liga de Amigos, onde decorreu este almoço, num clima de autêntica solidariedade e serenidade. Conviveu-se, trocaram-se impressões com amigos que  quiseram comparecer, mesmo vivendo fora, mas que se dizem assumir como santovaronenses genuínos

Seguiu-se um momento musical com a colaboração da jovem santovaronense, Inês Rodrigues, terminando a tarde com um leilão, à moda antiga, de produtos oferecidos pela comunidade e algumas firmas e que reverteu igualmente para o mesmo fim.

Outras atividades se seguirão…

Igreja Matriz recebeu Concerto de Natal

Tal como foi noticiado, realizou-se no passado dia 23 de Dezembro, o Concerto de Natal, pela Filarmónica Alfarelense e da iniciativa da Liga de Amigos de Santo Varão.

A Igreja Matriz encheu-se por completo para assistir a este evento que, pela reação dos que assistiram, foi de pleno agrado e um sucesso.

De facto, sob a batuta do maestro Reis Pereira, e com um elenco de músicos onde sobressaíram muitos jovens artistas, sucederam-se várias interpretações natalícias, de elevado nível artístico, o que revela desde logo o mérito desta filarmónica.

Feito um balanço bastante positivo desta iniciativa, estão abertas as portas para que a Liga de Amigos passe a inscrever esta iniciativa no plano anual de atividades.

Um agradecimento a toda a comunidade que nos faz pensar que afinal vale a pena trabalhar em prol da mesma.

Notícia publicada pela Câmara Municipal:
http://www.cm-montemorvelho.pt/index.php/municipio/comunicacao/item/2721-lasv-da-mais-cor-ao-natal-em-santo-varao

 

 

Concerto de Natal

No próximo dia 23 de Dezembro, pelas 16h 30m, a Liga de Amigos de Santo Varão, associando-se ao espírito natalício, vai promover um Concerto de Natal, na Igreja Matriz de Santo Varão.
O espectáculo estará a cargo da Filarmónica 15 de Agosto Alfarelense que já nos habituou a belíssimos espectáculos musicais.
Por tal razão, a Liga de Amigos convida toda a comunidade e amigos a assistir a este evento que promete algumas surpresas…

Feira de S.Martinho, molhada mas animada…

Tal como foi amplamente divulgado,realizou-se nos dias 10 e 11 de Novembro a tradicional Feira de S. Martinho, em Santo Varão. Desta feita, o S. Pedro, zangado com o S. Martinho, não ajudou à festa e, como tal, as condições climatéricas deste fim de semana não foram benéficas para o evento. Apesar de tudo e, com toda a dose de resiliência possível, a feira cumpriu os seus objetivos, já que a população e forasteiros compareceram de bom grado, fizeram as suas compras e animaram o recinto.

     

Noutra vertente, o almoço convívio foi bem sucedido, já que cerca de 100 convivas encheram por completo as salas, gentilmente cedidas para o efeito, pela direção do Centro Social Paroquial de Santo Varão.

Também a tasquinha, a cargo da Comissão de Festas de N.S. Amparo, recebeu a visita de muitos comensais que, ao longo dos dias, degustaram os saborosos petiscos que aí se encontravam.

    

Mais de lamentar foi a destruição das tendas causada pelo forte vento que se fez sentir na noite de 6ª feira.

Uma palavra de reconhecimento às instituições locais e à artesã Rute Moreira pois,  mesmo com as condicionantes climatéricas, marcaram presença e contribuíram para a dinamização da feira.

Em jeito de rescaldo podemos, contudo, fazer um balanço positivo da mesma, formulando votos para que, para o ano, o S. Pedro faça as pazes com o S. Martinho !.